Imagens, Comentários e Estórias de Valdanta (Chaves) e das suas gentes. O meu endereço é "pereira.mos@sapo.pt"
Quarta-feira, 21 de Março de 2007
Hino a Valdanta

 
 Valdanta, 22 de Março de 1964
Domingo de Ramos
 
No ano de 1962, foi nomeado Pároco de Valdanta o padre Serafim em substituição do padre Joaquim, que passou a ter exclusivamente a paróquia de Soutelo.
 
O padre Serafim é natural de Vila Marim no concelho de Vila Real, proveniente de uma família humilde. Chega a Valdanta, na força da sua juventude e acabado de ser ordenado, por isso com muitos sonhos e ambições. Era sacristão da paróquia um rapaz dos seus 14 anos dado a certos devaneios artísticos, mas passado pouco tempo passou a pasta a outro mais novo, porque considerava que aquilo de ser sacristão era coisa de garotos ou de velhos e ele já não era garoto e muito menos velho.
 
Como era de gente humilde, mas trabalhadeira, o padre Serafim não olhava a meios para aumentar o seu escasso pecúlio familiar. Era um regalo vê-lo a carregar sacos de centeio, ou a receber o vinho quando andava a fazer a cobrança da côngrua.
 
Num dia de Inverno e durante a homilia da missa dominical disse que precisava de lenha para o lume por isso se houvesse uma alma generosa que lha pudesse arranjar, ele agradecia muito. Estava no coro a assistir à missa, conforme a sua devoção, o Roulo do Cando e ao apelo respondeu: - Vai por ela a Valdardães.
 
Quando chegou, não tinha qualquer meio de transporte e começou por comprar uma bicicleta usada, mas também não sabia andar nela. Com muita paciência e algumas partidas o sacristãozeco lá lhe ensinou a montar e andar na bicicleta. Ser de família humilde era uma coisa, mas agora que era padre e até estava numa paróquia com gente generosa, tinha que ambicionar outro meio de transporte, mas estava ciente das suas limitações por isso começou a pensar numa motorizada.
 
O dinheiro não chegava e na altura ainda não havia compras a crédito por isso havia que fazer alguma coisa para conseguir a referida motorizada. Falou com as catequistas que eram a Júlia e a Otília, estas convidaram as jovens desse tempo e uns rapazes para fazer um teatro com a finalidade de angariar alguns fundos para a desejada mota do padre Serafim.
 
Estas falaram comigo para dar uma ajuda já que eu já fazia parte do elenco dos saraus de arte da antiga Escola Comercial e Industrial de Chaves com algum mérito. Organizámos o programa, fizemos os ensaios e preparámos o sarau para apresentar às gentes de Valdanta.
 
Diziam os entendidos que até fizemos uma coisa digna de ser vista por gente importante e como nas representações que fizemos em Valdanta não se angariou o dinheiro suficiente, também fizemos uma representação no auditório dos Bombeiros de baixo em Chaves e assim conseguimos a verba necessária para a tão almejada motorizada.

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Faz precisamente hoje 43 anos (22/3/1964) que, numa tarde de um Domingo de Ramos apresentámos em Valdanta, pela 1.ª vez este sarau de arte composto por uma peça de teatro em 2 actos (não me recordo do título) e algumas variedades com cantos, danças folclóricas e pequenas rábulas. Foi para este sarau que se compôs o hino de Valdanta que a seguir apresento sem mais comentários ou divagações, mas com a lembrança da felicidade que senti nesse dia.
 
Imaginem a felicidade que um jovem sente quando acaba de ser adulto pela primeira vez!... Foi isso que eu senti. Recordem comigo a felicidade daqueles momentos cantando este:
 
HINO A VALDANTA
 
Refrão
Uma saudade, quem a não tem?
Da terra amada de tão carinhosa mãe.
Saudade sim, tristeza não,
Porque a tristeza não faz bem ao coração.
 
I
Valdanta, ó terra querida
Recorda o teu passado,
Tens as histórias mais belas
Que a velha história te há dado.
Em noites de lua cheia,
Cantas canções de embalar.
E serão belos meus sonhos,
Todos risonhos, para me afagar.
 
Refrão
Uma saudade, quem a não tem?
Da terra amada de tão carinhosa mãe.
Saudade sim, tristeza não,
Porque a tristeza não faz bem ao coração.
 
II
Capela de Santa Bárbara
Lá no alto da aldeia
É de lá que se aprecia
A beleza que te rodeia.
Velhos castelos sorriem
Lá em Outeiro Machado,
Lembram a linda história,
Cheia de glória, teu nobre passado.
 
Refrão
Uma saudade, quem a não tem?
Da terra amada de tão carinhosa mãe.
Saudade sim, tristeza não,
Porque a tristeza não faz bem ao coração.
 
Letra: Padre Serafim e J. Pereira
Música: Padre Ângelo Minhava
 
 
Sem fazer muitos comentários sobre este acontecimento cultural, de que muito me orgulho, quero, neste dia de aniversário, homenagear algumas pessoas que fizeram parte deste evento e que estarão para sempre ligadas aos usos e costumes desta terra que nos viu nascer e que com saber, amor e muita dedicação sempre elevarão. São eles:
- Otília Santos
- Júlia Evangelista dos Santos
- Luís Alves Carneiro
- Rita Evangelista dos Santos
- Jorge Dias dos Santos
- André Chaves Romão
- Chaves Dias
- Ester Chaves Dias
- Celeste Pereira
- Leonor Dias dos Santos
- Maria da Conceição Pereira (Laida)
Ao escrever este nome varreram-se-me todos os outros que tinha para escrever e homenagear, por isso peço imensa desculpa pelas falhas que daí vêm e que me completem com tudo quanto falha neste momento, passados 43 anos.
Estou velho!...
 
Há uma pessoa, a principal culpada por este devaneio, que foi a primeira peça deste puzzle e que recordo com muito carinho para quem envio todo o meu respeito, consideração e apreço um grande abraço.
 
Duas pessoas mencionadas e que tiveram uma parte muito activa neste sarau, já não se encontram entre nós, a Rita e a Laida. Não posso fazer este post sem lhes pedir, onde quer que estejam, que velem por nós pois continuamos a amá-las tal como eram. Para elas muitos beijinhos.
Deixo aqui três fotografias de cinco pessoas, tiradas por essa altura. Não é difícil descobrí-los a todos, mas é só para ver como éramos nesse tempo.
 

 



publicado por J. Pereira às 23:56
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27 comentários:
De Gabriel Graça a 27 de Março de 2007 às 13:43
Olá!!!


De Lai Cruz a 27 de Março de 2007 às 19:40
Olá Rabanete - Gabriel por aqui??

Sei que estás de férias... talvez o tempo custe a passar...
Sei que já acabaste o livro "A menina do mar" que te indiquei para as férias.
Eu vi o teu e-mail. Fiquei muito contente, só demonstra que tiveste entusiasmo ao lê-lo. Isso é bom. Parabéns!!! Não te esqueças de me contar qual foi a moral da história.
És um aluno extraordinário.

Fizeste bem em aparecer por aqui... é uma experiência nova...
(Ps. não repares nos erros do SexMachine, ele não teve o privilégio de ir à escola como tu e os teus colegas, eu até sei que, tu com 7 anos, farias uma tradução sem erros.)
Viste a resposta que o Senhor Pereira nos fez ao nosso comentário que enviámos da escola?
Foi muito simpático da parte dele, não achas?

Já viste a última actualização do nosso site da escola?
Beijinho GRANDE da prof. Lai



De J. Pereira a 27 de Março de 2007 às 23:41
Olá Gabriel.
Gostei muito de te ver por aqui. Agora que estás de férias podes vir visitar-nos de vez em quando, mas como diz a prof.ª Lai não ligues à forma como escreve o SexMachine porque ele, (como se diz em Trás-os-Montes) aprendeu a escrevr com um estadulho.
Um grande abraço para ti e parabéns por seres um excelente aluno.


De SexMachine a 28 de Março de 2007 às 00:06
Ó jota cumo mintendes, tantas bezes lobei cu istadulho quando as bacas num criam amdar.

ispetabalhes águilhada no talcitio e era belas a pular dalegria, inté pançabam qiam pra fezta...

bôs tampos... catano de bida jota


Niu Bedford - March 2007


De Enólogo a 28 de Março de 2007 às 10:06
Ó sex, be lá se arranjas um cibito de tempo para vires à Pascoa à "nossa" terra para bubermos um copo à saude dos velhos tempos e camermos um carolo de folar quente a sair do formo !
Ainda estás a tempo de mercar o bilhete nu abião. Olha c'ouvi dizer que no sábado de pascoa cá tarde baisse buber bo binho da Granjinha. Bê lá se apareces, olha que bai ser de caixão á coba como tu gostas...


De SexMachine a 28 de Março de 2007 às 01:51

ó çinhora prufeçora Lay,
de berdade eu num tibe tampo dir ascola purqe ia travalhar na laboira i inda fez a çigunda clace e lobei muintas beses cuabara onde calhaba.

inda batem á canalha, aqi é a canalha qe bate nus prufeçores. alguns inté lebam nabalhas capadoiras pra çala daula.
ai çe nu me tampo un canalho ulhaçe a dereito pro prufeçor, lubaba logo nas bentas e xigaba a caza e lubaba maiz, çe num lubasse cum istadulho nu lombo.
eram oitros tampos, num abia interneta nem profeçoras a amandar veijos os piqenos.

gustaba de ter uma profeçora cumo a sinhora Lay pra mamandar veijos...

un veijo prufeçora Lay

Niu Bedford - March 2007


De Lai Cruz a 28 de Março de 2007 às 18:10
Olá Senhor SexMachine
Agradeço o seu comentário. É verdade, agora os tempos são outros…
Já ninguém bate na canalha.
Agora se algum professor toca num aluno, é ele próprio que é capaz de levar com um “istadulho nu lombo” à saída da escola.
São de facto outros tempos, agora há Internet, há professoras a mandar beijinhos para os alunos…
É sinal que a relação professor/aluno mudou e isso é um bom sinal de mudança.
O que é preciso é que os alunos se sintam bem e felizes na escola.
Quanto ao facto de gostar de ser meu aluno… a minha escola ainda tem vagas. Seria um prazer tê-lo como aluno. E tenho a certeza que o Gabriel (aluno excelente) me daria uma ajudinha.
E poder ter a certeza se olhasse a direito para mim não “lubaba logo nas bentas”.

Fico à espera da sua matrícula na escola (WWW.eb1-esqueiros.rcts.pt)
A prof. Lai Cruz


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