Imagens, Comentários e Estórias de Valdanta (Chaves) e das suas gentes. O meu endereço é "pereira.mos@sapo.pt"
Quinta-feira, 9 de Abril de 2009
9 de Abril de 1918

Comeroram-se hoje 91 anos da batalha de La Lys, na Flandres  Francesa, onde muitos portugueses perderam a vida naquela que foi a mais horrenda batalha da primeira Grande Guerra Mundial.

Recordo três homens de Valdanta que fizeram parte do CPE (Corpo Expedicionário Português) nesta guerra e quero-lhe prestar a minha homenagem. Foram o António Pereira (Malanga), José António Barreira e Francisco Coelho (Palmela).

Na minha infância convivi muito com o ti Malanga e com o Ti Zé António, mas este não contava muitas histórias da guerra, suponho até que mais queria esquecer do que lembrar, mas o ti Malanga (meu avô) era um verdadeiro contador de histórias. Eu, na minha inocência, não o levava a sério e a não ser um caso ou outro de que me lembre não ligava muito ao que dizia.

Quem levou tudo a sério foram os netos do nosso herói que hoje quero apresentar.

António Pereira dos Santos, natural de Amoinha Velha, concelho de Valpaços, passou para o papel aquilo que consegui e conta-nos com sentimento e paixão o que +por lá passou e sofreu.

Os netos conseguiram passar para livro o relato dele tal como o fez e acrestaram com sentido de oportunidade os dados históricos.

Apresento aqui a capa do livro e parte dos versos referentes ao dia 9 de Abril. É um livro que se lê de um só fôlego pois foi feito com muito trabalho, incluindo os dados históricos passados na época.

Aconselho vivamente a ler esta verdadeira obra de literatura e arte. Encontra-se à venda na FNAC.

 

 

 

 

Grande Guerra

 

O dia em que eu fui prisioneiro

 

A 9 de Abril em 1918

 

Este dia 9 de Abril;

Para mim sempre lembrado.

À meia noite fui chamado;

Dedonde estava a descançar.

Que ainda no dia entes à noite;

Das trincheiras tinha chegado.

Que já avia 6 dias;

Que eu não tinha dormido,

Nem descansado.

 

Era meia noite em ponto,

Pusme apé rapidamente.

E segui para as trincheiras,

A toda a pressa ás carreiras

Debaixo de fogo vivo.

Já me contava perdido;

A correr e a saltar.

As granadas eram tantas;

Que se encontravam no ar.

Parecia o fim do mundo o fogo arrebentar.

 

Até nem quero que me lembre;

O que ali se passava.

Numa noite tão escura;

Sem saber aonde estava.

 

Que terror se me metia;

Dentro do meu coração.

Quando via meus camaradas;

Caírem mortos no chão.

 

Os feridos tanto gritavam;

Com dores a padecer.

E não avia ninguém;

Que lhes pudése valer.

 

Nestes pontos me encontrei;

Toda aquela madrugada.

E já era alto dia;

E o combate não paráva.

 

As trincheiras já estavam razas;

De tanto fogo cair.

E nós todos aflitos;

Por não podermos rezestir.

 

Já não tínhamos munições,

… …



publicado por J. Pereira às 14:07
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2 comentários:
De Marcelo Barreira a 10 de Abril de 2009 às 01:22
Amigo Zé,

Esse post me encheu de orgulho e de vontade de ter conhecido um desses personagens dessa história.

Falo do meu avô José António Barreira de quem eu só pude ouvir estórias contadas pelo pai, Augusto Barreira.

Sobre a obra, vou procura-la por aqui.

Um abraço,

Marcelo Barreira


De J. Pereira a 10 de Abril de 2009 às 12:35
É verdade, o seu avô foi um dos heróis sobreviventes desta miséria humana. Eu convivi com ele, porque ele era pedreiro e trabalhava junto com o meu pai, mas ele era de muito poucas palavras.
Quanto ao livro, vale a pena ler, porque é um dado histórico contado com toda a simplicidade de uma pessoa simples que apenas a descreveu tal como a viveu. Os autores tiveram também a feliz ideia de a imprimir socorrendo-se do "scanner" da escrita original, o que lhe dá uma mais valia e um efeito de verdade que muito me impressionou.
Um abraço para si e família e uma Páscoa Feliz para todos.


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J. Pereira
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