Imagens, Comentários e Estórias de Valdanta (Chaves) e das suas gentes. O meu endereço é "pereira.mos@sapo.pt"
Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008
“CAÇADOR das PAMPAS”

 

 

“CAÇADOR  das  PAMPAS”
 
 
Era uma vez um caçador tirocinado nas «pampas» de Angola.
Quando regressou ao «Puto» comprou um «canhangulo» italiano na «Casa Coelho», mas para ir às Rolas e à Perdizes.
Começou por ir aos Tordos   - convidado por uns campeões lá do sítio.
Logo no primeiro dia, para espanto (e raivinha) dos “melhores de todos”, «deitou abaixo» mais passarecos do que os outros quatro comparsas.
Acertava pouco, mas a passarada é que se metia à frente dos chumbos, e lá calhou.
Vieram as rolas (leia-se:- começou a época da caça às rolas) e lá foram esses “quatro mais um” com mais uns dez até ao Alto do Alvão.
Ainda mal amanhecia e, em vez se porem em posição para caçar, houve logo alguns que “estavam cheios de sede” … e toca a atacar uns cabazes e umas cestas onde havia uns farnéis.
Queixavam-se da sede, gabavam o presunto, louvavam a chouriça e até se esqueceram que amanhecia.
Bandos de rolas atravessaram o céu, mesmo por cima das suas espingardas deitadas numa manta.
Atabalhoadamente, os nós foram dados nas toalhas de linho. (Ó civilizados de hoje, naquele tempo o papel da “Renova” ainda mal se via!).
Os engasgos foram muitos. As «pragas», demais.
Toca a arrancar para Gouvães sob o comando do Dias.
Ao «regressado ao Puto» calhou-lhe um bom lugar, pertinho dum riacho.
Do lado de lá estavam uns fraguedos bem grandes. De repente, surgem duas perdizitas, pequenotas, a cacarejar.
Que lindas que eram!
Ficou-se a olhar para elas. Logo dobraram a pedra mais umas quantas – umas maiores, outras do mesmo tamanho. “Penicavam” o chão, cacarejavam e pareciam dançar. Nem soube o tempo que demorou a contemplação. Só deu conta que estava ali, e com uma espingarda de dois canos carregada, quando a última perdiz desapareceu por trás dos pedregulhos.
Lá por aquele vale o tiroteio lembrava um foguetório.
Passado algum tempo, qualquer coisa chafurdou no riacho.
Olhou para lá e ficou-se encantado com a brincadeira de duas lontras. Que surpresa!
E só se lembrou da espingarda e das rolas quando as lontras desapareceram, sabe-se lá por onde!
Era quase «mei-dia».
E as rolas enxotadas de todos os lados vieram poisar nos choupos e amieiros mais próximos dos pedregulhos das Perdizes e do riacho do diacho das lontras.
Mesmo mesmo ali à mão de semear juntaram-se muitas rolas. Arrolhavam, saltavam de ramo p’ra ramo, de galho p’ra galho, e até pareciam estar em convenção político-partidária.
Coisa linda - arrulhos, plumagens, cores da folhagem, saltaricos das rolas!...
O caçador das «pampas de Angola, regressado ao Puto» deliciava-se com o que os seus olhos viam.
Foi despertado quando o Dias o chamou porque estava na hora do Almoço.
Os campeões e vice-campeões haviam caçado uma dúzia aldrabada.
Toca a ir para Vila Pouca onde se almoçou com muita fartura.
Quase todos «muito bem acompanhados» (o caçador das «pampas de Angola» não bebia vinhaça), aí pelas 4 da tarde vão fazer a digestão lá no Alto do Alvão, deitados num lameiro, perto da estrada.
Não havia rolas, mas havia cartuchos vazios. (Foi nisto que os cow-boys se inspiraram: - atirar cartuchos vazios ao ar e ver quem mais e melhor lhes acerta).
O dia de caça chegou ao fim.
O caçador das «pampas de Angola» vendeu a espingarda.
Mas um arrozinho de TORDOS, com níscarros da Groiva, feito na sacristia da Catedral da Capela de Valdanta, feito pela CÉU, e acompanhado por um “Balcerdeira” produzido pelo NEL …. não perdoa!
 
 
 
Tupamaro
 


 

 



publicado por J. Pereira às 22:11
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2 comentários:
De Maria da Taberna a 14 de Dezembro de 2008 às 19:11
Hum!!!, umas febritas " desse espinho, os níscarros na brasa com azeite e alho, e um púcaro "desse" alumínio que prá í há..., acho que me corria melhor có arrozito !!!


De Dinis Ponteira a 15 de Dezembro de 2008 às 15:27
Grande caçada!!!!!
e magnifico Texto.
Abraço


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J. Pereira
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