Imagens, Comentários e Estórias de Valdanta (Chaves) e das suas gentes. O meu endereço é "pereira.mos@sapo.pt"
Terça-feira, 12 de Agosto de 2008
O Céu da minha Aldeia

 

 

 

Aconchegadinha nos braços do feiticeiro Tâmega, a minha ALDEIA sobe desde a “Ribeira”, pelo “ValCoelho”, pelo “Valcôvo” e pelo “ValdaCabra”, agarradinha ao CANDO dos meus encantos, e de braço dado com VALDANTA e ABOBELEIRA.
Os dias dos meses de Agosto pareciam sempre mais grandes!
O Sol madrugava a espreitar-nos por uma esquina do Castelo de Monforte. Enchia o dia de calor e luminosidade. Depois do Jantar (agora diz-se Almoço) tinha mesmo de se dormir a sesta. Ao cair da tarde, o jerigotar rotineiro regressava com aquela encantadora e ternurenta azáfama de homens e mulheres a darem conta do recado que as lides campestres e domésticas exigiam.
Quando se aproximava a hora da ceia, toda a gente se aproximava mais uma da outra. Era o regresso dos carros de bois, carregados de lenha, estrume, ou erva, a tocarem e a imitarem orquestrais instrumentos tão só com o atrito do eixo a gemer entre as treitouras, ao compasso do passo dos bois, ou das vacas, e dos contrapontos das rodas a rolarem pelo caminho ou a tropeçarem numa pedra ou numa rocha. O coro do boieiro e dos trabalhadores, conversando acerca das peripécias, das facécias e do cansaço desse dia de trabalho, entremeado com as “recomendações” à ”junta” (para os que não sabem ou que se possam ofender, esclarece-se que a «junta» era (é) uma parelha de bois, ou vacas, que «sabe» puxar um carro   - daqueles cujo veio de tracção é o pinalho!) que bem combinava com o «Presto» das donas de casa, aflitas em ter a ceia pronta à chegada dos homens; em recolher as galinhas e os galarispos dos filhos e das filhas   - que já se fazia noite!  -  em ralharem meigamente  com a filha que ia à fonte buscar a água fresquinha para a ceia … e o olhar meigo e sorrateiro daquele moço de quem tinha, ou esperava, «compromisso».
E todos sempre com tempo e vagar para dar duas palavras de amizade a todos os vizinhos!
Ceia ceada, as pessoas juntam-se no «Largo».
A noite descia, não para nos anunciar a idade, o tempo, das trevas, mas, sim, acompanhada por um luar suavemente brilhante e cintilante, com a mensagem de um novo dia de Agosto de sol quentinho, de apreciados goles de água fresquinha colhida na Fonte, ou na “Pipa”, ou goles apreciados de uma  pinga-sumo-de-uva colhidos num qualquer pipote, ou tonel, tão garbosamente aprumados em qualquer adega.
Deitado de costas numa laje da Eira, nas escadas de pedra, ou num granítico banco, pronto em qualquer lado, ainda mornos pelo brasa do calor do dia, um jovenzito com voz de tenor à Mário – Lanza - caseiro, olhava, deslumbrado, o céu da sua ALDEIA, e cantava, para gosto dos seus vizinhos, as «modas» da moda ou:
 
          “Ó Lua, vai-te deitar!
Ó Lua, vai-te deitar!
À cam(p)a da minha amada!
Qu’iela, coitadinha, ‘stá,
Qu’iela, coitadinha, ‘stá
Sozinha e abandonada”!
 
E ainda:
 
          “O Luar da meia-noite,
Alumia cá p’ra baixo.
Que eu perdi o meu amor, ai!
E às escuras não o acho”.
 
Bondoso, o povo, chamava-lhe:
 
 
-“O   ROUXINOL   DA   GRANGINHA”!
 
 
 
             Era o céu, era o céu da minha ALDEIA!
 
  
 
 
LUIS DA GRANGINHA
 

 



publicado por J. Pereira às 22:54
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