Imagens, Comentários e Estórias de Valdanta (Chaves) e das suas gentes. O meu endereço é "pereira.mos@sapo.pt"
Quarta-feira, 16 de Julho de 2008
Saiam-me da frente

 

 

Dezasseis e trinta.
 Venho ao Blogue dos meus amores e deparo-me com o retrato mais divulgado da “Minha Aldeia”.
 O coração ficou em sobressalto.
 Li logo com avidez as palavras do Zé a introduzirem e a rematarem a notícia jornalística.
 GRANGINHA é o meu berço de nascimento; é o meu «Campo» de recreio e de crescimento; é a Fonte onde busquei água para regar as melhores amizades e o maior amor do mundo     -     o da Minha Avó São!
 A Granjinha foi o cantinho onde colhi os mais doces mimos, as mais esfuziantes alegrias, e onde teci os mais sublimes sonhos.
 Da varanda da “Casa do Campo”, olhava a cidade fazendo mil exercícios de adivinhação dos mistérios que me parecia esconder em joguinhos de esconde-esconde comigo.
À noite, do “Alto” ou do cimo do “Campo”, olhava-a com espanto pelos sons que dela me chegavam e pela sua iluminação eléctrica, sem entender porque não a deixavam iluminada com o mesmo luar de Agosto que mais linda tornava a Minha Aldeia.
Sentia que todos fazíamos parte de todos.
Frente a algumas casas, as ruas eram atapetadas com estrume,
A “Pipa” dava uma água fresquinha e famosa, pois até gente da cidade escalava o “Monte da Forca”, atravessava o “Pedrete”, subia as “Carvalhas” e consolava-se na GRANGINHA    - de ares, de água bendita, de companhia e conversa agradáveis, e de um naquito de qualquer coisa que até os mais pobres de bens e todos ricos de fraternidade apresentavam ao visitante.
Os quintais eram ricos e fartos de frutas, e até do caminho, os figos as peras, as cerejas, as uvas ficavam à mão de semear!
E mesmo os muros se ofereciam cobertinhos de amoras tentadoras e gostosinhas.
E a CAPELA ali estava como símbolo vivo dos Valores daquela gente e sinal luminoso das bênçãos celestiais e divinas que lhe calhavam.
A chave nunca esteve na mão do padre nem da do sacristão. Da minha lembrança, estava na «Requeta», mas sempre à mão de quem quisesse abrir a porta.
A sineta tocava, puxada por uma cordita, para anunciar as celebrações colectivas do «Mês de N. Senhora», das Avé-Marias, do Terço, e outras.
Orava-se e cantava-se com fé e com gratidão pelo poucochinho que se recebia do tanto que se merecia.
 
Muito humilde era (e é) aquela gente da Granjinha!
 Talvez por isso mesmo apenas tenha gerado um rebento rebelde rebeldinho, quase, quase rebelde, mas nem tanto assim!
Custa-me ver essa pandilha de bonifrates, com o «caganço» de políticos, a sublimarem os seus complexos e a compensarem a sua invalidez humana com a elaboração e execução de «planos estratégicos» e outras «variáveis geometrias» aproveitadas em «janelas ou províncias de oportunidades” para disfarçarem o cinismo com que privam (roubam, até) a GRANGINHA (e a maior parte das NOSSAS ALDEIAS) dos mais elementares direitos.
 Mesmo no tempo dos Bárbaros havia mais respeito pelas cidades, pelas Vilas, pelas paróquias, pelas Aldeias, pelas Pessoas!
 Ah! Não estava lembrado de que no tempo deste 25 de Abril estamos no Quarto Crescente dos traidores e dos impostores!
 Não fora o exemplo dessas nobre crianças   - que até corar fez o diabo vermelho! -  e o Plurianual Plano não teria inscrito um Investimento, lá para a campanha de 2009, numa «vista de olhos» à CAPELA DA GRANGINHA!
 Fazer um «alquedute» desde a «Surreira», para desviar as águas das enxurradas, requer aprofundados estudos de Engenharia Civil e…Financeira, de Arquitectura, de Impacto Ambiental, e de Engenharia político - eleitoral!
 Mudar o Poste e as linhas telefónicas que embaraçam os Visitantes (são em maior número do que esses pindéricos governantes autárquicos e nacionais imaginam!) que pretendem fotografar o Monumento, é o cabo dos trabalhos e vai levar anos, ‘stás a ver?!
 Fazer umas obritas de reparação e conservação na própria CAPELA, por dentro e por fora, ora essa, mas p’ra quê?!
Ele, se a Câmara não tem «têsto» para construir umas retretes na cidade, nem a Junta para  edificar um Sanitário Público na sede da Freguesia, ia, lá agora, esbanjar nota nuns saquitos de cimento e outras mixórdias, para dar uma arranjo na CAPELA!
 Ah! Mas passar licenças de construção e certificados de fiscalização, vistoria, ocupação e habitabilidade para obras que açambarcam Baldios, caminhos e lugares públicos, e desrespeitam outras normas legais, para isso há tempo, dinheiro e feitio!
 Só não há um pingo de um pinguinho de vergonha!
 Saiam-me da vista!
 Luís da Granginha 

 



publicado por J. Pereira às 08:32
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2 comentários:
De João Carlos a 17 de Julho de 2008 às 18:10
Caro conterrâneo, penso que acertou na muche ...

Umas obrazitas pois claro, para calar os tristes digo eu!
Bem ! Depois desta nobre prova de cidadania, e da chapelada dada aos "tais" adultos do saber e do "poder"....
Qual será o próximo passo ?
Sim ,talvez um míseros sacos de cimento embloutados em meia dúzia de rudes rachões ?!?! Será ?
Talvez, e ainda poderão sobrar uns tostões do donativo para aplicar, para aí algures...
Ouçam lá meus senhores aquele pedaçozinho tem muita dignidade e muita história ainda por descobrir. Além de Imóvel de Interesse público, que para mim é MONUMENTO NACIONAL, convém requalificar com cuidado.
Eu embora leigo, deduzo que antes da requalificação do adro drenagem de águas pluviais e ladejado com (granito da região), penso que deverão ser feitas no adro prospecções, ou melhor escavações arqueológicas, atendendo à história do solo em redor e no interior da capela.
Não vá o diabo tecê-las e lembrarem-se de "selar" para sempre uma qualquer estátua de Vénus seminua aí soterrada....
Meus amigos, livrem-se de tratar com desdém a "NOSSA" JÓIA !!!!

Ela ainda tem sino, e ainda se usa tocar a rebate !!!!!!!!


De A.Cruz a 20 de Julho de 2008 às 22:45
Vamos aguardar que com este contributo, tenha sido dado um impulso para a requalificação exterior da Capela da Granjinha.


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