Imagens, Comentários e Estórias de Valdanta (Chaves) e das suas gentes. O meu endereço é "pereira.mos@sapo.pt"
Sábado, 24 de Novembro de 2007
Granjinha
 
 
É um pedacinho de céu.
Desde tempos imemoráveis que outras civilizações o ocuparam.
A romanização e a cristianização peninsular depressa o escolheram  para assento e altar de contemplação.
E, debaixo dos seus hábitos, mantém escondidos os testemunhos da presença de antepassados maiores.
Novos bárbaros estão a invadi-lo.
Moinantes, vilões, demónios e brutos têm vindo, nas últimas décadas, a dar cabo das madrepérolas desse rincão.
 
A GRANJINHA!
 
Voltada a sol-nascente, o astro-rei acaricia-a todo o dia.
E à tardinha, no seu pôr, veste-a com tonalidades celestiais.
Os Celtas elegeram-na como seu Bosque de Culto.
Estes tinham o CARVALHO como a sua árvore mais sagrada e símbolo da porta do conhecimento, do valor e da majestade.
Lá, neste rincão, o “Largo do Carvalho” sempre foi a sua ágora, como o era ainda no tempo dos “Netos da Granjinha”.
          Efémeros, os Visigodos nela descansaram alguns Invernos, quando da sua viagem para sul.
Os Suevos dela fizeram principado.
Os Mouros por ela se encantaram e nela fizeram brotar as suas fontes de lendas, e deram ninho às suas cegonhas.
Hoje, os seus Vales, as suas «Lamas», os seus Quintais, as suas “Carvalheiras”, e o seu CAMPO são tomados de assalto, ou saqueados à tripa forra, com a cumplicidade atrevida de administradores públicos.
Hoje, tudo leva a crer num descarado propósito de «esfanicar» a ALDEIA com maior riqueza histórica da Alta – Tamegânia.
 
A GRANJINHA sempre foi linda!

Torga, em cada visita vivia um deslumbramento!
Mas muitas, e também importantes, «pessoas da cidade» a visitavam com frequência, umas, com ritual, outras, para nela absorverem dons de alegria de viver.
Todavia, os pretores modernos preferem consentir no aviltamento, no saque e na destruição das honras e riquezas dessa nobre e histórica Aldeia, julgando disfarçar assim a mediocridade histórico-cultural e governativa que a sua ignorância imbecil lhes decreta e impõe.
E, se mais não quiserem saber, ao menos, dêem uma vistas de olhos a uma brochura editada por um Flaviense adoptivo, ANTÓNIO SAMPAIO, intitulada “MEMÓRIA DO MOSTEIRO DA GRANJINHA”, e, com certeza, um rebate terão na consciência.
Ao ilustre Júlio M. Machado mereceu-lhe um eloquente quarto de página!
Ou então, passem pela GRANJINHA, dêem um toque na sineta e a portinha da Capela abrir-se-lhes-á para uma inspiração de vénia respeitosa e de descoberta de segredos que essa misteriosa, encantadora e encantada e feiticeira ALDEIA contém!
  
GRANJINHA!
         
  “Quid pulchrius”?!              
 
 
Luís da Granjinha
.
Nota: Este magnifico texto de Luís da Granjinha foi "decorado" com fotografias do grande amigo e ilustre fotografo Dinis Ponteira. Para eles o meu sincero obrigado. J. Pereira


publicado por J. Pereira às 11:24
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12 comentários:
De A.Cruz a 25 de Novembro de 2007 às 19:48
Valerá a pena meditar e pensar o que fez este "pedaço de céu" para sofrer tamanha barbárie ... e ainda o que será que os "vendilhões" têm a a ganhar!

Ao LUÍS ao J. PEREIRA e ao DINIS, um bem-haja !!!


De parente pobre a 17 de Dezembro de 2007 às 19:21
Ó pá!!!
Muda-te para Outeiro Seco...


De joao afonso RIO. brasil a 26 de Novembro de 2007 às 10:04
repetindo.....por onde andarão essas cavalgaduras chamados de administradores do bem publico ?! Será que não percebem o valor histórico cultural que as aldeias possuem ?! é lastimável, é triste... Os cabrões só aparecem na época do período de eleições, tal qual no Brasil !!!...abraços a todos da minha terra.


De joao afonso RIO. brasil a 26 de Novembro de 2007 às 10:14
sugestão:....desconheço a Legislação Portuguesa, mas acredito que a população do lugar possa tomar posse do bem publico considerando que o poder publico não lhe dá valor, ajustar documento formalizado na CAMARA MUNICIPAL e assumir a POSSE desse bem em carácter de USO CAPIÃO ficando cada cidadão proprietário de uma fração desse bem e responsável pelo próprio . Essa medida possibilitará e permitirá que a própria Comunidade assuma o restauro e conservação desse BEM. Se espermos pelos outros , podemos ficar para traz eternamente...


De J. Pereira a 26 de Novembro de 2007 às 14:50
Amigo João Afonso. Aqui o bem público é monumento nacional ou edifício com interesse arquitectónico que é o caso da capela, por isso só as autoridades competentes poderão laborar. As zonas envolventes e de acesso estão no maior desprezo do mundo. Os moradores são poucos e por este andar cada vez serão menos pois as infraestruturas estão reduzidas ao mínimo e os melhoramentos que as entidades públicas deveriam levar a efeito são praticamente nulas ou nenhumas, por isso as condições de vida das populaçãoes são péssimas. A Granjinha como diz o sr. Luís fui um pedacinho de céu, mas com este desprezo passará a ser um pedação de inferno.


De Sóbrio a 26 de Novembro de 2007 às 18:39
Sabemos que os mandarinetes, os administradores do reino, os vendilhões, os bárbaros os usurpadores e ainda os néscios, não gostam de blogs!!!
Estão muito "seguros" do seu saber, do seu poder, das suas negociatas, dos seus cochichos e da sua tacanhez !!!
Talvez nem eles entendam o que combinam...
Dizem que nem sequer os visitam, ou talvez sim...os blogs!
Ficaremos nós com a esperança quem "sim", a FREGUESIA espera que "sim" e especialmente a GRANJINHA espera que "sim", que talvez a consciência lhes "doa" e se iluminem...

Ou então ainda poderão eles estar com a razão...e aí temos o que realmente merecemos!!!


De Dinis Ponteira a 26 de Novembro de 2007 às 23:57
Um lindo trabalho, de facto é uma prena estragar aquele cantinho eserem autorizadas certas obras


De João Carlos a 28 de Novembro de 2007 às 23:14
Qual autorizadas !!!
Pelo que consegui saber até existe uma zona de protecção do casco antigo da Granjinha, mas ninguém respeita e aos autoridades fecham os olhos.
Na freguesia de Vale de Anta, constrói-se em qualquer lado, penso que o PDM não se aplica...
Em lugares em que o PDM prevê uma frente de 30 M para construção, constrói-se com 3 m de frente. Um lugar em que o PDM "exige" 2.500 m2 de área constrói-se com 400m2 .
Está às vistas é só verificar por ex. na Estrada do Cando para a Barragem ou do Cando para a Granjinha, com a agravante de alguns construírem muros na via pública.
Zonas Verdes, Zonas Agrícolas, Zonas de Protecção a monumentos, etc. , etc. , etc. !!!
Penso que os "Fiscais" andam a dormir...
Será que andarão?
Até dizem que há projectos que não são feitos pelos "fiscais engenheiros"... para bom entendedor meia palavra basta!!!


De Luís da Granjinha a 30 de Novembro de 2007 às 22:56
Não levem a mal que vos recomende uma visita ao Blogue "Reflexosonline/Dinis Ponteira", (ligação feita via Dinis) onde podem ver uma belíssima foto da Porta da Capela da Granjinha.
Para a descrição da foto o Amigo Dinis editou um textozito deste vosso amigo.

Estamos certo de que ficarão agradados.

Luís da Granjinha


De J. Pereira a 1 de Dezembro de 2007 às 11:51
É pena não se poder comentar, pois são dois tesouros (Lai) num único postal. Mas essa foto ainda tem reserva aqui neste Blog, porque o Dinis fez o favor de a ceder para publicação no Blog de Valdanta.


De A.Cruz a 1 de Dezembro de 2007 às 18:04
Que adjectivos se poderão utilizar para classificar uma foto e sua descrição que nos fazem emocionar !!!
Continuo a pergunta-me porquê tanto "abandono" ?!?!?!


De Luís da Granjinha a 1 de Dezembro de 2007 às 22:14
Não resistimos a COPIAR um comentário feito no Blogue "Reflexosonline" perante esta foto da autoria do distinto e genial DINIS PONTEIRA.

"""Adrifil
""Que maravilha de detalhes, desde os capitéis até às aduelas dos arcos! Lindíssimo este portal românico!
Ainda este ano estivemos em Chaves e que pena não sabermos da existência desta pequena maravilha.
Excelente foto! """
---
Se o Monumento é Nacional ,
porque é que
só Alguns têm Orgulho e Vaidade, LEGITÍSSIMOS, nele?!

Luís da Granjinha


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