Imagens, Comentários e Estórias de Valdanta (Chaves) e das suas gentes. O meu endereço é "pereira.mos@sapo.pt"
Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2006
Vem aí um Novo Ano

 

Vem aí um Novo Ano e com ele muitas esperanças, alegrias e novidades, mas também vêem ódios, tristezas, desilusões, guerras e outros conflitos próprios do homem e das suas vaidades.

Quero desejar a todos sem excepção muita PAZ , AMOR e FELICIDADE.

Não trago uma fotografia exclusivamente de Valdanta, mas do nosso vale o "Vale de Chaves" como símbolo da nossa universalidade. Esta fotografia foi tirada a 22 de Dezembro mas, o dia não estava propício para estas coisas. Foi o que se pode arranjar quando da minha última passagem por Chaves, mas sem poder ir a Valdanta (vejam lá a desgraça!...)

Quero agradecer as visitas que têm feito ao Blog. Quando coloquei o contador em 1/11/2006 pensava que com um pouco de sorte atingiria os 1.000 visitantes por esta altura e já estamos perto dos 3.000, o que me dá uma satisfação muito grande. Bem Hajam.

Também quero referir outro assunto. Tinha prometido a mim mesmo que não faria neste Blog um Link do site da Câmara Municipal de Chaves como protesto pelo desinteresse que nesse site dão às freguesias rurais. No entanto vou Linkar o site para que todos possam ver que aquilo que digo é verdade e, também para que as pessoas possam ver os assuntos importantes do nosso concelho, ou antes, da nossa cidade.

Despeço-me com um abraço e saudações flavienses para todos com votos de muita Paz e Amor em 2007.



publicado por J. Pereira às 00:24
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Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006
Serões em Valdanta (1)

                   

Estamos no Inverno com as noites grandes, frias e desconfortáveis sendo necessário muita roupa para dormir quente e agasalhado. Hoje, as casas são aquecidas, calafetadas e não há grandes problemas para se estar quente dentro de casa, mas noutros tempos não era bem assim. Para aquecimento apenas existia o lume da lareira e a lenha tinha-a quem era dono dos montes ou possuía árvores para limpar, como oliveiras, freixos, carvalhos ou castanheiros. As casas não eram isoladas e o ar entrava por tudo quanto era buraco, pois não havia vidraças e os telhados eram a telha vã. Em noites de temporal, as correntes de ar e o barulho da passagem do vento assustavam qualquer pessoa e até a neve invadia toda a casa.

Para dormir, mais ou menos quente, era necessário ir para a cama vestido, porque não havia pijamas e o frio que se apanhava numa troca de roupa dava para congelar. Os cobertores de papa, que eram haveres apenas de alguns, mais abastados, não eram muito confortáveis e pesavam de tal maneira no corpo que uma pessoa quase não se mexia debaixo da roupa. Os menos abastados utilizavam mantas de burel que picavam no corpo e não eram lá muito quentes, acrescentando ainda capotes e outros agasalhos para fazer frente ao frio. Os lençóis eram de linho grosso, também pouco confortáveis e só ao alcance de poucos, por isso quem podia utilizava cobertores de algodão a fazer de lençol, o que, diga-se em abono da verdade, eram os mais quentes e confortáveis.

Dormir vestido era o normal, mas havia casos de excepção, que era o caso dos garotos que se portavam mal e eram castigados com uma ida para a cama sem qualquer roupa vestida, isto é o mesmo que dizer que dormiam nus ou “dincouros” como se diz em Valdanta.

Antigamente os serões eram frequentes e grandes, à volta do borralho e à luz da candeia. Ceava-se cedo, pois com o pôr-do-sol vinha a noite e não se podia fazer grande coisa porque não havia luz eléctrica. Os garotos, normalmente, é que estavam cansados da brincadeira que se prolongava até ao toque das Trindades e depois de fazer os “deberes” da escola à luz da candeia estavam mortos para ir para a cama, só que era necessário rezar o Terço em família e isso fazia-se depois de cear, enquanto as mulheres lavavam a louça e arrumavam a cozinha. Um dos membros mais velhos, normalmente a mãe ou o pai, pegava no terço, oferecia os mistérios e dava início à recitação.

Em casa do ti Zé Benedito, patriarca da família da tia Albertina Perronha, existia tudo isto, frio, buracos na casa, pouca roupa e a reza quotidiana do Terço. Tiveram vários filhos que foram saindo de casa, pouco a pouco, uns atrás dos outros, até que ficou em casa apenas o João, o mais novo, que também saiu e foi para o Uruguai, onde, infelizmente veio a falecer ainda novo.

Estando um dia a fazer a recitação do Terço, o João, que estava cansado da brincadeira, começou a dormitar e em vez de rezar, dormia, como é óbvio e de vez em quando ouvia-se a voz do ti Zé Benedito:

- Ascorda rapaz…  e reza!...

Às tantas, e já quase no fim da reza como o João continuava a dormitar, o pai que estava rezando:

- Abé Maria ………Bendita sois bós … (diz enfurecido) bais drumir dincouro … entre as mulheres ……

 

Mesmo assim éramos felizes e estes serões trazem muita nostalgia. Proponho-me contar aqui como eram passados os serões em Valdanta por volta dos anos cinquenta. Até lá com a fotografia da casa do ti Zé Benedito desejo-vos um Santo e Feliz Natal.

 



publicado por J. Pereira às 15:59
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Quarta-feira, 20 de Dezembro de 2006
Só para quem gosta

 

Como tenho andado bastante ocupado não me tem sido possível apresentar umas estórias, mas garanto-vos que há algumas na forja a sair rapidamente.

Entretanto para abrir o apetite ofereço-vos um pouco do meu jantar de hoje com os votos de

 BOAS FESTAS



publicado por J. Pereira às 23:33
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Sábado, 9 de Dezembro de 2006
O Natal já não é o que era!

 

É claro que não. O Natal já não é o que era. Hoje come-se tudo, compra-se tudo, esbanja-se tudo. Enfim é uma farturinha.

Mas houve tempos que não era assim, passava-se fome, comia-se apenas o que havia, quando havia e bebia-se alguma coisa que estava guardado para as festas. Também me lembro de se beber um cálice de vinho do Porto de uma garrafa oferecida pelo Quim da Zalinda, que era o dono da mercearia /taberna, aos clientes anuais que punham as contas em dia por volta do Natal. Mas as pessoas eram felizes. Não tinham as preocupações que agora nos afligem, como os robots, as playstations, grandes sistemas de vídeo e áudio, enfim, uma infinidade de objectos que vieram facilitar as nossas vidas mas que, se mal utilizadas são uma droga.

E toda esta conversa fiada para quê? Para vos contar como o ti Lampianista consoou há muitos anos atrás. Esta casa era dele e foi ele quem a mandou construir, embora não fosse tal como está agora, mas até a achava mais bonita como era antigamente. Chamavam-lhe Lampianista porque tinha exercido esta profissão em várias estações de comboios da CP, também conhecidos por "Texas".

O ti Lampianista não era uma pessoa muito activa e também não era de grandes falas. Também não tinha grandes liberdades nem opiniões na gerência familiar. Era casado com a tia Joaquina Berneque e ela é que punha e dispunha.

Naquele dia de Natal e depois da noite de Consoada, o ti Lampianista sai da casa dele em direcção à fonte, resmungando sozinho que aquilo nem era Natal nem nada.....   que passava fome... que até no Natal o queriam matar à fome...

Apregoando esta ladaínha lá vinha ele por ali fora, quando alguém lhe pergunta:

- O que é que tem? Passa-se alguma cousa de grave? Sem resposta directa e sempre resmungando lá seguiu o seu caminho.

Mais atrás aparece a tia Joaquina a quem perguntam:

- O que é que fez ao seu home? Atão num le deu de comer?

- Pruquê? Perguntou ela.

- Ele diz qu'assim num é Natal nem é nada. Atão num tiberam um bô Natal?

- Num sei que milhor queria: "Uma redonda de pão, um prato de milhos e um copo de binho". Inda qria milhor Natal?

 

 



publicado por J. Pereira às 22:49
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Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2006
Tupamaro

Recebi uma carta de um visitante assíduo deste Blog, suponho que de pseudónimo "Tupamaro". Li-a e reli-a, respondi-lhe da mesma forma, mas não resisti a publicá-la aqui, com um abraço amigo e sincero, agradecendo-lhe estas palavras de apoio e ânimo para continuar em frente nesta caminhada de divulgação da nossa terra. Devo referir ainda, que esta carta é a resposta a uma outra que eu lhe enviei a solicitar ajuda, pois suponho que ele, ou é natural da Granjinha ou tem por lá alguns interesses.  
Para ele o meu agradecimento público com um  abraço amigo.
Bem haja e que tenha um Santo e Feliz Natal junto dos seus familiares e que o Novo Ano lhe traga tudo quanto deseja.
José Pereira
 

 

 

Por falta de qualidade substituí a fotografia anterior por esta que é uma recordação do Inverno do ano passado.

Caro sr. J. Pereira,
Sensibilizou-me "a sua carta".
Teria muito mais gosto em responder-lhe em papel de carta e envelope, com a
minha própria  letra. Algumas palavras e frases, em vez deste negrito e
itálico, seriam escritas em «bastardinho», «cursivo» ou «gótico».
Para além de, às vezes, mimar modestamente os meus sentimentos e as minhas
emoções em grafismos que gostaria escorreitos, pouco mais tenho para dar como
contributo ao digno, honroso e nobre esforço que o sr., e outros companheiros
de ideal, vêm dedicando à sua «Terra Natal» - "ao corpo e à alma" (
você sabe que quero dizer património físico e humano!) do  Lugar, Aldeia,
Freguesia, Região ou Província.
Não disponho de arte nem artes, patrimónios ou arquivos que lhe possa
dispensar para consigo colaborar como pretende e merece.
A minha «cumplicidade» pode ser apenas afectiva, isto é, partilhar consigo na
feitura carinhosa de um ou outro texto.
Aprecio o seu cuidado em mostrar a dedicação a Valdanta  sem se repetir.
O sr. Fernando Ribeiro é uma pessoa muito empenhada e com muita arte e
competência. Tenho-o, também em grande conta e apreço.
É evidente que o contributo de muitos, mesmo que a falarem do mesmo, mas por
estilos, sensibilidades, perspectivas diferentes alarga e enriquece o
reportório.
A Internet ainda é um meio ou instrumento quase inacessível para «maiores de
cinquenta» rústicos. E estes serão, em princípio, os mais capacitados de
nos contarem histórias e dar testemunhos, em maior quantidade, das "nossas
Terras".
Como divulgar o seu projecto?
Talvez, também, através de textos, reportagens de eventos ou efemérides, nos
Jornais de Chaves, da Região ou das Casas de Trás-os-Montes.
E se fosse organizado pelos Valdantinos um «CANTAR DE JANEIRAS», lá pela
Freguesia?!
E se fosse organizada uma ""CONVENÇÃO MUNDIAL DE VALDANTENSES"", na
Semana de S. Domingos?!
E se os Valdantanos promovessem uma FESTA DE HOMENAGEM ÀS SUAS MULHERES
celebrando Uma FESTA DO FOLAR?(Claro, ELAS faziam o FOLAR, Toda a gente se
REGALAVA com ele, e os «cavalheiros» diziam poesia, cantavam "Adeus, ó
Laurinda..." e ofereciam a Todas as Mulheres Bombons, flores,....
E se.....
Bem, tenho de deixar espaço para si e para outros.
Os filhos das «nossas Terras», a geração do pós-guerra, foi constrangida a
sair do seu recanto. Ora migrando discretamente para os arrabaldes das
«grandes metrópoles» Porto e Lisboa; ora emigrando secretamente, «A
SALTO», para a França, ora levados, ou «levados», para um Ultramar.
São os Transmontanos o povo lusíada com maior «Fado»  -  a moda, agora, é
Diáspora.
Em S. Diego, (Califórnia), em Ludlow (Massachussets), em Toronto
(Ontário-Canadá); em S.Paulo (Brasil); no Xai-Xai (Moçambique); em Malange
(Angola), em Pretória (África do Sul); nas Astúrias, no Cantão Obwald da
Confederação Helvética, na Ilha Pacífica das Flores, no sopé do Fuji-Ama,
ei-los, titânicos..... e de constante lágrima vertida com a saudade daquele
«cantinho« que os viu nascer!...
 Provavelmente, serão os Transmontanos os primeiros a colonizarem (não ter
medo do termo, pois não tem necessariamente que significar tirania,
escravatura, etc.. Colonizar é, também, e acima de tudo, humanizar o
território e, se os houver, partilhar com os povos a cultura e a
civilização)  Fobos e Demos.
Caro sr. J. Pereira, mostrar gosto, orgulho e até vaidade pelas «nossas Terras
e nossas gentes» não pode ser nunca sinal de menor respeito pela mesma atitude
dos outros.
Falarmos dos nossos não implica necessariamente esquecer, ignorar ou desmerecer
dos demais.
Escrevo isto na eventualidade desta «carta» ser lida por mais alguém de outra
«nação» e que se melindre por causa daquela «pitadinha» de egoísmo que
lhe sobra.
Também me considero capaz de apresentar registos abonatórios, encantadores e
valorosos de qualquer uma dessas «nações».
 Valdanta, ou Vale de Anta, significa " lugar importante", pois «Anta»
quer dizer Dólmen e, também, Pedra que referencia os caminhos. Os Vales são,
por norma, férteis, ricos. E as Antas são testemunhos Pré-Históricos.
Assim, Valdanta é um Lugar imperativamente rico de História, independentemente
de ser pouco estudada e conhecida.
Cando tem, pelo menos, origens Celtas. É fértil e estratégico. O seu nome
originário era CALANDUNUM.
Abobeleira - História não lhe falta e ainda a tem à vista - parece estar na
ordem do dia. E ainda bem!
Oxalá corresponda  a uma das melhores vistas da Moderna "Pensão
Bertolini"(E.Foster) que a "Solverde" por aí se propõe edificar.
A Granjinha é uma «pègada» à espera de uma Leakey ou de um Galopim; de uma
«lasca» de Burgess à espera de um Gould; uma Pichu(leta) a aguardar um Hiram
Bingham; uma «Ilha dos Largatos» à espera de um Darwin.
Aliás, não há que estranhar por, por aí, pela sua Valdanta e arredores, se
terem fixado Celtas, Romanos, Visigodos, Mouros, pois «A Veiga», os vales e
as «Lamas» são férteis e as serras e os montes estratégicos... e  as
Mulheres...um «ENCANTO!».
Aonde me está a levar o gosto pela "nossa Terra" e a vontade de colaborar
consigo!
            Parece-me que os «bloguistas» mais «activos» se «encontram»
uma vez por ano num almoço-merenda-jantar-ceia-Convívio.
Talvez, um dia, me faça distraído e aproveite para vos conhecer (ou
reconhecer) e felicitar-vos pessoalmente.
"""Ditosa Terra que tais filhos tem!"""
Grato pela sua amabilidade,
Tupamaro


publicado por J. Pereira às 00:31
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Terça-feira, 5 de Dezembro de 2006
Cibernautas do Futuro

Palavras para quê? Isto passar-se-á em Valdanta ou em qualquer parte deste nosso Portugal, porque passaremos a ser apenas velhos (cotas).

Esta imagem já foi publicada em muitos Blogs, mas a última, encontrei-a no Blog do Camilo, um amigo de longa data, camarada de armas, companheiro dos desenhos humorísticos e publicitários, mas principalmente um crítico desportivo e de mal dizer, veja aqui. Um abraço para ti Camilo.



publicado por J. Pereira às 00:12
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Segunda-feira, 4 de Dezembro de 2006
Vai Chover!...

             

                       

            Aproxima-se o Inverno, pois começa a fazer algum frio (este guardei-o no congelador desde o ano passado) e isso faz-me lembrar uma estória passada em Valdanta com duas figuras das mais típicas que por ali nasceram, se criaram e viveram. O Zé Cablé e o João Mita.

Peço perdão aos familiares por continuar a tratar as pessoas pelas alcunhas. Faço-o com muito carinho e, creiam que, se não os considerasse não os trataria assim, o que quer dizer que este tratamento é só para os amigos e pessoas de bem.

 

Quase todos os dias ao fim da tarde, em especial no inverno, lá andava o Cablé para trás e para a frente, duas voltas para a direita, volta e meia para a esquerda, levantava os olhos para cima com a boca em forma de alguidar, mirava as nuvens e ao passar pelo Mita dizia:

- Uuuu ... Oije um tchobe !....

O João Mita que era muito gago, (muito gago é favor, ele era gaguississimo ). Tenho a impressão que morreu de idade tão avançada só por ser assim gago.

- Tcho ………i…… be ! … Tcho ………i…… be !

- Uuuu …um tchobe !... nã...    Diz o Cablé.

Um dia, durante as suas deambulações, o Cablé aproxima-se do Mita e diz:

- Bai tchober !...

O Mita , que devia andar de maus humores ou preocupado com outros assuntos da sua vida, vira-se para o Cablé e tratando-o mal (como só os gagos sabem fazer sem gaguejar), responde:

Ba …a... ai!...... tu!   ... se…e...eu fi ……lho da…da… da…… pu ……………



publicado por J. Pereira às 15:35
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Domingo, 3 de Dezembro de 2006
Hino à Vida
Quando andava na recruta (serviço militar obrigatório) era costume ouvir os instrutores dizerem:
- Seu reco ordinário, você não sabe que aqui não tem voz activa pois reco é sete graus abaixo de polícia e polícia é sete graus abaixo de cão. Já reparou no que é que você é? Você é apenas um reco ordinário.
Esta introdução serve para dizer que foi preciso esperar tanto tempo para chegar à conclusão que de facto tudo o que me diziam era a mais pura das verdades. Senão vejamos:
1.      Não se faz uma estrada no concelho de Vimioso com poucos quilómetros de comprimento, mas muito importante para a circulação das pessoas residentes porque está em causa a sobrevivência de uma espécie de ratos “rato cabrera” em vias de extinção. Isto foi motivo de visita oficial do senhor presidente da República ainda a semana passada.
2.      Não se pode construir a barragem do Baixo Sabor porque põe em causa a sobrevivência de umas aves “cegonha negra” que até o próprio guarda-rios disse que nunca as viu em quarenta e tal anos de serviço. Estas aves estão em vias de extinção.
 Se não é incómodo pergunto:
- Então e o homem? Não estará em vias de extinção?
Quando, há cerca de 30 anos, vim para esta zona do país a escola primária da aldeia (Mós) tinha duas turmas com duas professoras. Há mais de dez anos que encerrou por falta de alunos. Não estará o Homem em vias de extinção?
Este ano, encerraram as escolas primárias de todas as freguesias do concelho de Freixo de Espada à Cinta, ficando apenas a escola da sede de concelho. Pergunto novamente: - Não estará o Homem em vias de extinção?
A mim parece-me que sim e não será necessário vir com novas liberdades sobre o ABORTO para acelerar essa extinção. Sabendo como sabemos que se uma mulher for violada ou tiver um feto mal formado poderá optar por esta atitude e ser assistida clinicamente. Para que mais liberdades? Para poder gozar e fazer da sua vida um trapo ou caminho sem sentido? Ou será para acabar de vez com as nossas crianças?
Eu não conheço ninguém, mas mesmo ninguém, que esteja arrependido dos filhos que teve ou que o próprio gostasse de não ter nascido e lhe tivessem feito um aborto.
Isto é um Blog sobre a minha terra e as suas gentes e talvez não seja muito apropriado eu vir para aqui com este assunto, mas não podia deixar passar em branco esta oportunidade de expressar a minha ideia e dizer às pessoas para no próximo dia 11 de Fevereiro dizerem NÃO e fazerem um hino à vida.
Hoje, Valdanta é uma aldeia dormitório de uma cidade pequena a dar para o médio, portanto com muito melhores condições para as crianças do que no tempo em que eu fui criado, mas digam-se se souberem: - São mais felizes do fomos nós? Lembrar-se-ão, mais tarde quando estiverem fora a ganhar a vida, da sua terra e dos seus como nós nos lembramos?
No ano de 1947 nasceram em Valdanta onze rapazes e duas raparigas. E agora, quantos nascem por ano?
Ainda há dias prestei aqui homenagem à minha mãe e regozijei-me pelos seus 93 anos. Ela teve 7 filhos e 6 ainda são vivos, faltando-nos a Laida que uma fatalidade do destino arrebatou para sempre. Perguntem se alguma vez ela pensou em desfazer-se de algum de nós, ou se algum não teve o maior prazer em fazer parte deste grupo.
Estou neste Blog por gosto à minha terra e à minha gente e queria pedir a todos que apostem na continuidade do ser humano e não contribuam para a sua extinção.
Toda a gente sabe em Valdanta que eu não tive filhos biológicos, no entanto tenho uma filha adoptiva que muito amo e me faz sentir feliz no que faço e sinto.
Garanto-vos que não me vereis aqui a pedir votos por qualquer partido político. Palavra de honra.
Amo muito a vida.


publicado por J. Pereira às 20:10
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J. Pereira
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