Imagens, Comentários e Estórias de Valdanta (Chaves) e das suas gentes. O meu endereço é "pereira.mos@sapo.pt"
Segunda-feira, 9 de Abril de 2007
Os nossos Heróis (1.ª Grande Guerra)

Batalha do Lys

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Trincheiras em La Lys.
Trincheiras em La Lys.

A Batalha do Lys ou Batalha de La Lys, deu-se em 9 de Abril de 1918, na região da Flandres, no sector de Ypres.

Nesta batalha, que marcou a participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial, os exércitos alemães, provocaram uma estrondosa derrota às tropas portuguesas, constituindo a maior catástrofe militar portuguesa depois da batalha de Alcácer-Quibir, em 1578.

A 2ª divisão do CEP,constituída por cerca de 20.000 homens, dos quais somente pouco mais de 15.000 estavam nas primeiras linhas, comandados pelo general Gomes da Costa, viu-se impotente para aguentar o embate das 4 divisões alemãs, do 6º exército, com cerca de 50.000 homens comandados pelo general Ferdinand von Quast (1850-1934). Essa ofensiva alemã, montada por Ludendorff, ficou conhecida como ofensiva “Georgette”. As tropas portuguesas só em 4 horas de batalha perderam cerca de 7.500 homens entre mortos, feridos, desaparecidos e prisioneiros, ou seja mais de um terço dos efectivos.

Entre as diversas razões para esta derrota tão evidente, têm sido citadas, por diversos historiadores, as seguintes:

 

Ingleses e portugueses, feitos prisioneiros em La Lys (região da Flandres) pelos alemães em 1918.
Ingleses e portugueses, feitos prisioneiros em La Lys (região da Flandres) pelos alemães em 1918.
  • A revolução havida no mês de Dezembro de 1917, em Lisboa, que colocou na Presidência da República o Major Doutor Sidónio Pais o qual alterou profundamente a política de beligerância prosseguida antes pelo Partido Democrático.
  • A chamada a Lisboa, por ordem de Sidónio Pais, de muitos oficiais com experiência de guerra ou por razões ´de perseguição política ou de favor político.
  • Devido à falta de barcos, as tropas não foram rendidas, o que provocou um grande desânimo nos soldados. Além disso, alguns oficiais, com maior poder económico e de influência, conseguiram regressar a Portugal, mas não voltaram para ocupar os seus postos.
  • O moral do exército era tão baixo que houve insubordinações, deserção e suicídios.
  • O armamento alemão era muito melhor em qualidade e quantidade do que o usado pelas tropas portuguesas o qual, no entanto, era igual ao das tropas britânicas.
  • O ataque alemão deu-se no dia em que as tropas lusas tinham recebido ordens para, finalmente, serem deslocadas para posições mais à rectaguarda.

O resultado da batalha já era esperado por oficiais responsáveis dentro do CEP, Gomes da Costa e Sinel de Cordes, que por diversas vezes tinham comunicado ao governo português o estado calamitoso das tropas.

 

Hoje apresento um pouco da história de Portugal, dum momento menos feliz da nossa participação no conflito que opôs a Alemanha ao resto do mundo e que foi camado "1.ª Grande Guerra".

Faço esta referência aqui para lembrar que pelo menos (que eu me lembre), 3 Valdantinos estiveram no meio do conflito e que, graças a Deus, sobreviveram e ainda nos brindaram com muitas histórias ou estórias e são precisamente eles que eu quero lembrar com esta simples, mas sincera HOMENAGEM. São eles o Francisco Coelho (ti Palmela), António Pereira (ti Malanga) e José António Barreira. Para eles o meu agradecimento. "BEM HAJAM".

Não sei se houve mais alguém da freguesia envolvido co conflito e se estes nomes estão corretos, por isso peço a quem me possa corrigir que o faça, para que não haja desvios de informação. Pensava eu, fazer uma recolha sobre o assunto, mas tal não foi possível, por motivos óbvios. Agradeço antecipadamente qualquer esclarecimento.

Um VIVA para os nossos Heróis!

 


sinto-me: Orgulhoso

publicado por J. Pereira às 12:08
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13 comentários:
De SexMachine a 9 de Abril de 2007 às 17:35

Ataum Jota, bais milhor das Maleitas?

Olha, alambreime dum ome das noça terras que conheci intenpos e procurei na neta a história dele, hera u ome qe balia baliões.

aqi bai.

O Milhões
«Mesmo nos piores momentos, ele conseguia transmitir coragem».
Milhões morreu quando Leonida (a neta) tinha 17 anos mas ela lembra-se bem que o avô era um homem muito simples e bem disposto, capaz de contar uma boa história.
Aníbal nasceu em Valongo, concelho de Murça, em Trás-os-Montes. Agricultor durante toda a vida, com excepção do tempo que fez dele um herói medalhado e celebrado.
Chegada a hora da tropa foi incorporado no Regimento de Bragança e mais tarde no de CHAVES.
Em 1917 «partiu para a frente de combate». Um ano depois, chegava o «grande momento, o da batalha de La Lys», na Flandres. O dia preciso: 9 de Abril. Rezam as crónicas que uma força portuguesa se viu atacada pelos alemães. A nossa força chegou a ser destroçada e a situação era «a pior possível». Muitos portugueses foram mortos e os sobreviventes obrigados a retirar. O soldado Milhais viu-se sozinho numa trincheira e, então, ergueu-se, de metralhadora Lotz, e varreu uma coluna de alemães que vinham em motocicletas. E, segundo conta a lenda (ou terá sido mesmo verdade), terá feito o mesmo às colunas de “broches” que entretanto surgiram. Parece que os alemães terão julgado que, em vez de um camponês sozinho, enfrentavam um fortíssimo regimento de portugueses e ingleses. Não, afinal, era apenas Milhais e a sua querida «Luísa», nome de metralhadora. O acto isolado deste soldado com queda para kamikaze, permitiu aos aliados tomar posição trinta e tal quilómetros mais atrás. Milhais, esse, continuou sozinho, a vaguear pelos campos, tendo apenas «amêndoas doces» para comer. Quatro dias depois da batalha, encontrou um médico escocês que o salvou de morrer afogado num pântano. Foi este médico, para sempre agradecido, que deu conta ao exército aliado dos feitos do soldado transmontano. Chegado ao acampamento, Milhais foi efusivamente abraçado pelo seu comandante: «Tu és Milhais, mas vales milhões», para sempre, Aníbal Milhais virou «soldado Milhões».
Por causa desse feito Milhões recebeu a Ordem de Torre e Espada de Valor, Lealdade e Mérito, em Isberg. Perante o soldado, que, no fundo, era apenas um homem simples e grande contador de histórias (na opinião da neta), desfilaram «em continência» 15 mil soldados aliados. Depois de terminada a Guerra, o soldado recebeu outras condecorações portuguesas e estrangeiras. O problema é que a comenda da Ordem de Torre e Espada valia apenas 15 tostões por mês. É que a Pátria precisa de heróis (quando não os tem, fá-los à pressa, em aviários) mas quando se trata de desembolsar uns cobres, o caso muda de figura. Em 1924 chegou, inclusive, a haver subscrições públicas para que o herói Milhões pudesse construir uma casinha para ele, para a mulher e para os oito filhos.
(...)

qe te paresse jota, tamém talembrabas du ome?

um avrasso

Niu Bedford - April 2007



De Zé Roscas a 9 de Abril de 2007 às 18:39
Sex VOLTASTE!!!!!
Gostei do texto e gosto de saber o que te vai na alma... voltaste!!!! e fiquei muito contente, estava mesmo à tua espera.
Não desistas dos teus comentários, ok?
You are a big men, (És um grande HOMEM!!!)
Até me pões a falar inglês, catano.


De J. Pereira a 9 de Abril de 2007 às 20:31
Olá Sex
Um abraço desde T. Moncorvo. Agradeço a tua preocupação com a minha saúde. Já vou melhor, mas muito cansado (também já nasci assim). Foi muito oportuna esta tua intervenção sobre o sr. Aníbal Milhais, porque eu tive o privilégio de fazer uma viagem de comboio na sua companhia. Era eu um garoto mais ou menos com doze anos e encontrei-o no comboio entre o Porto e a Régua, como eu viajava sozinho ele foi para junto de mim e daí até Vila Real fomos sempre juntos, comemos na Régua da sua merenda econtou-me partes da sua vida. Lembro-me que era um conversador nato e quando eu lhe disse que o meu avô também tinha andado na Guerra como ele, foi uma amizade sem limites. Vinha de Lisboa, onde tinha recebido umas migalhas pelo seu heroísmo. Enfim, era uma homem bom, rude, simples, trabalhador e muito honesto na sua humildade.


De atanasio a 5 de Março de 2011 às 06:39
o pouco mais de respeito se pede ao moderador deste blogue pelos herois portugueses


De J. Pereira a 5 de Março de 2011 às 22:03
Não sei onde o meu amigo quer chegar!...
Onde está a falta de respeito?
Qual é o seu trabalho a este respeito? Gostava de o ver.
E... mais não digo para não alimentar questiúnculas que não levam a lado nenhum.


De Flor del llano a 9 de Abril de 2007 às 20:07
Lembrança Muito Oportuna.
SexM recorda o "Milhões" - e com toda a Justiça.
O Coronel Bento Roma também esteve nessa Guerra e em La Lyz foi feito prisioneiro(?).Juntamente com outros Bravos soldados Portugueses, entre os quais se distinguiu o (depois) Capitão Castro, Bento Roma e o Sargento(?) Castro fizeram História.
""Heróis do Mar ... da Terra ... e do AR"!
Flor del llano


De Domingos a 9 de Abril de 2007 às 21:56
A nossa história, como a de todos os povos, é feita de momentos altos e outros que não foram tão bons. Felizmente para nós o saldo é francamente positivo. Também a saúde, por vezes, nos abandona e nos faz passar momentos menos felizes. Espero sinceramente, amigo J. Pereira, que muito brevemente a tua saúde volte, e te restabeleças completamente. Temos que nos encontrar mais vezes para conversar de blogs e de muitas outras coisas e precisamos que tragas a um desses jantares aquele amigo que em vez de aparecer manda lembranças.
Um abraço.
Domingos


De Gorila do Maiombe a 10 de Abril de 2007 às 16:06
Esses branco são memo tolo. Vichi Maria!... Você já viste qui livô purrada nos terra di Angola, Cabinda...
Esses Madié no tem juizo memo, tá lembrando, inda quando livô purrada...
Io conheceste argu branco de Vardanta qui stiveste co io in terra de Maiombe, si caihá fô este madié J. Pereira. Ome qui dominó guerra in Chimbete e Belize, in terra de arto Maiombe.


De J. Pereira a 13 de Abril de 2007 às 10:05
Olá Gorila do Maiombe.
Não vou responder em Feote (língua Cabinda), mas gostava de saber quem é o meu amigo, porque na freguesia de Valdanta, que eu me lembre, além de mim houve, apenas, outro Gorila do Maiombe que foi o Mário Malta da Abobeleira. Alguém que me conhece fez este comentário. Obrigado e apareça.
Kandandus (cumprimentos)


De Marcelo Barreira a 10 de Abril de 2007 às 16:26
Amigo Pereira, um dos heróis Valdantinos citados por ti foi meu Avô, José Antonio Barreira e isso enche-me de orgulho. Desejo-te melhoras e que continue a nos contar histórias de suma importância assim como foi esta e muitas outras que ainda virão.

Abraço

Marcelo Barreira


De Tupamaro a 11 de Abril de 2007 às 22:33
Caro Marcelo Barreira, com a devida licença do «patrão» deste Blog, quero dizer-lhe da satisfação que me dá a intervenção/comentários de ""ausentes mais distantes"".
E se por aí souber do «paradeiro» de outros Valdantanos, p. f., diga-lhes para darem «sinais de vida - p.ex, O Júlio Parente - filho do João Carteiro e o Lelo da Tia Maria do Campo.
Saudações amigas
Tupamaro


De ÁguasFrias a 10 de Abril de 2007 às 21:54
Venho dar os parabéns pelo post, já que além de apresentar um naco da nossa História (mesmo amarga que seja), vem lembrar aqueles que embora os manuais de História se esqueçam, nela participaram e que são Filhos da Terra.
Bem hajam Valdantinos.


De Mag a 7 de Junho de 2007 às 00:44
www.lalys-ofilme.blogspot.com


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