Imagens, Comentários e Estórias de Valdanta (Chaves) e das suas gentes. O meu endereço é "pereira.mos@sapo.pt"
Segunda-feira, 12 de Março de 2007
Arte de Bem Receber

Apareceu por Valdanta na década de 40 uma senhora chamada Senhorinha, casada em segundas núpcias com padeiro do qual não recordo o nome, mas viviam e trabalhavam na estrada onde tinham a padaria no que mais tarde foi um armazém agrícola do sr. Agostinho e onde nós fazíamos os teatros. (Na fotografia ainda se vê o local onde funcionava a padaria, é a seguir às alminhas quando se vira para o Cando).
 
O nome de Senhorinha deve ter a ver com a lenda da ponte de Mizarela, pois ela era natural dessa região de Barroso. Tinham uma criada chamada Maria que os ajudava em todas as lides, tanto domésticas como da padaria.
 
 Noutros tempos a principal via de acesso a Chaves para todos quantos vinham de Barroso era a estrada de Valdanta e como a sr.ª Senhorinha tinha muitos amigos da sua terra todos paravam na padaria para a cumprimentarem ou até mesmo para passar uns dias quando os afazeres em Chaves eram mais demorados ou por altura da feira dos Santos.
 
Foi precisamente numa ocasião destas que recebeu em sua casa uns parentes que além de aproveitarem para beber um copito de vinho também tinham necessidade de por a conversa em dia, já que era necessário saber e dar notícias da família.
 
Depois da ceia e de um bocado de conversa, o serão estava para durar, já que com a ajudo do vinho a língua fica mais solta e a conversa mais fluente, mas a senhora Senhorinha não se podia dar ao luxo desses serões porque era imperioso levantar cedo a fim de cozer o pão para os primeiros passantes que chegavam quase sempre ainda de noite.
 
Vinham em grandes grupos, quase sempre compostos por pessoas da mesma aldeia. Traziam os seus burros carregados com carvão, urze, carqueja e outros produtos da terra para vender em Chaves e faziam uma zurriada tremenda, a que nós chamávamos os comboios e, normalmente, o primeiro comboio a passar era o de Seara Velha, depois os de Calvão e Castelões, Meixide, Serraquinhos e outros.
 
Como a dona da casa tinha que se retirar para descansar um pouco e refazer forças para o trabalho da padaria e, os parentes não mostrassem vontade de se deitar e dar por terminado o serão já que estavam perto do que os trouxera ali, a senhora Senhorinha despediu-se deles, pediu imensa desculpa por ter que se retirar, que ficassem à vontade, bebessem o que lhes apetecesse, mas o dever chamava-a e foi então que se virei para eles e lhes disse:
 
- Bancês se percisarem de alguma cousa, peidam-no!...
 
 Virando-se para a criada.
 
- E tu Maria, alebanto o cú e dá-lho.
 
E foi-se deitar sem mais conversa.


publicado por J. Pereira às 00:04
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7 comentários:
De cmpsantos a 12 de Março de 2007 às 00:41
Este é um comentario que ouvi algumas vezes dizer, e vocês sabem por quem? Tio Quico esta claro! Mas olhem que ainda hoje é comentário que faz rir, pois ainda à pouco tempo num almoço de camaradas de serviço eu disse isso e todos se riram. Pois estava lá uma Maria.


De rspereira a 12 de Março de 2007 às 13:17
Essa historia é das primeiras que o tio me contou quando íamos pró monte para a azinheira, mas havia outras do tio Manuel Ze , do Peludo, do Planeta,etc,primo Ze com os teus posts fazes reviver momentos que já lá vão mas que nunca se esquecem. Obrigado bjos para ti .Rosita


De SexMachine a 21 de Março de 2007 às 02:16
inda malenbro dir contigo pra azinheira, inda bieste ó Cando ós bailes.

eras uma caxopa, andabas cu as obelhas do pitolho.

tamém andaba oitra canalha contigo, alguns iam com bacas e un ou oitro jemento.
pur estes tempos abia muinta alegria puraquelas bandas.
eras muinto alegre, inda és Rozita?

Niu Bedford - March 2007


De broncasdocamilo a 12 de Março de 2007 às 00:44
Estou pasmado!
Camilo.


De Granjinha a 12 de Março de 2007 às 14:08
O Zé, continua a surpreender!
Estou sem palavras, e por isso "ordeno-lhe":
Olhe faça-me um favor !?!?
Começe pensar nestas "Estórias" e as que ainda tem para nos contar, para preparar uma edição e publicação de "Estórias e Tradições da freguesia de Valdanta". Está bem ?

Um abraço


De SexMachine a 21 de Março de 2007 às 02:05

pudeis contar cumigo pra contar istórias.

istórias de oitros tempos em que naum abia deztas coizas.

nece tenpo era a gramjhna uma grande terra, grandes omes caí bibiam.

inda gustaba de çaber u quéfeito da tereza e da adosinda do américo.

uma bibia prós lados de lagarelhos, tinha ce ajuntado pra lá. a oitra ainda é biba?
tamém muraba lá pos lados da bárzea cum ome que trabalhou comigo em fezes pra ums ispahnóis.

inde dando notissias que quen esta lonje alembrasse muinto da terra


Niu Bedford - March 2007


De Lai Cruz a 13 de Março de 2007 às 22:30
O bem receber e ser bem recebido tem muito que se lhe diga!!!
Gostei de ver essa hospitalidade toda.
Cuidado Zé, a tua criatividade pode surpreender e até transformar a arte de Bem Receber!!!

Beijinhos


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