Imagens, Comentários e Estórias de Valdanta (Chaves) e das suas gentes. O meu endereço é "pereira.mos@sapo.pt"
Sábado, 3 de Fevereiro de 2007
AOS NETOS DA GRANJINHA (Tupamaro)

Este é mais um belo postal ilustrado do nosso amigo Tupamaro que com toda a cordialidade que já vem sendo habitual nos presenteia, participando na divulgação da nossa freguesia, tanto com comentários como com textos de divulgação, principalmente sobre a Granjinha. A fotografia é minha. Não é aquilo que, tanto o autor como o texto mereciam, mas foi o que se pode arranjar. É vista do caminho da Granja visto da Granjinha.

Quando iniciei este Blog, nunca pensei que viesse a ter o apreço e afeição de tanta gente , principalmente de pessoas que não me conhecem, mas é precisamente destas atitudes, como a do Tupamaro, que precisamos para mostrar, principalmente aos nossos emigrantes, as nossas raizes e as belezas da nossa terra.

Para o Tupamaro um grande "BEM HAJA", e a certeza de que, enquanto vier desta forma,  esta  porta estará sempre aberta para o receber.

 

AOS NETOS DA GRANJINHA 


A Volta a Portugal em Bicicleta chegava a Chaves.
A cidade engalanou-se e das aldeias vizinhas chegaram formigueiros de gente
crescida e miúda para «ver chegar os ciclistas».
A «Recta de Outei'jurzão» estava bordejada de entusiastas. A fileira de
árvores estendia-se desde o Jardim até à curva da subida concedendo algum
refresco naquele dia de sol abrasador de Agosto.
Para as mãozitas das crianças, e aproveitado por alguns adultos, foram
distribuídas pequeninas bandeiras com o retrato de um ciclista.
Enquanto se aguardava o veloz aparecimento do primeiro ciclista no princípio
da recta, pela Veiga perpassava um alarido enorme. Até a passarada se
mostrou de tal modo desorientada, que se cruzava no ar em rosas - de - vento
multicoloridas, emitindo sons de contralto a combinarem-se tão bem com o
entusiasmo dos expectantes.
Surgiu o primeiro «corredor».
Sozinho!
Isolado! - como gostam de usar os repórteres.
Mas, quase sem se dar conta, eis que aparece um grupo de corredores a encher
toda a estrada, a pedalar com enorme força, pondo a cara de lado, tal qual
fazem os que a têm ou põem «a de poucos amigos».
O ciclista da frente pedalava lesto e, às vezes, ziguezagueando, fazendo
lembrar uma lebre a fugir dos cachorros do Quim das Chardas, ali para o
"Vale Coelho" e a "Aberta da Ti'Aurora".
Fernando Moreira! Fernando Moreira! - gritava, de braço no ar, e acenando
com a bandeirinha com retrato do ciclista, a multidão de garotada, alinhada
com natural desalinho com as frondosas árvores da "Recta".
No dia seguinte, e nos dias e semanas seguintes ao dia seguinte, arames
finos que houvesse nas adegas ou nos quinteiros; frascos de álcool (naquele
tempo eram de vidro e pequenitos, lembram-se?) ou de comprimidos
desapareceram «milagrosamente».
Fizeram-se «guiadores» com duas argolinhas para meter os frascos - um com
gotas de água e outro tingido de «mercuròcromo».
E subindo pelo "Alto" e "Freijaneiro", circundando o muro do "Picholeto", às
vezes chegando ao Cando, descendo até ao "Vale da Cabra", subindo aos
"castanheiros" e cortar a meta no "Campo" realizaram-se «milhentas» «voltas
a Portugal», que para muitos tinha a fronteira no limite da aldeia, no
consultório do médico da cidade, ou Vila Real.
O prémio de tais façanhas eram os ternurentos e carinhoso ralhetes das mães
- por causa dos remendos que teriam de deitar; das primas - porque lhes
faltava o álcool de pôr nas borbulhas; das avós - porque não sabem mais
nada do que amarem os netos com todo o amor que pode haver no Mundo!

Tupamaro



publicado por J. Pereira às 00:46
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3 comentários:
De A.Cruz a 3 de Fevereiro de 2007 às 11:24
Estimado Tupamaro !
Continua a deixar-me sem palavras !
Que poeta, que personagem tão ilustre, tão conhecedora dos dos lugares, dos recantos, das estórias , dos pormenores, dos personagens das gentes que deixaram saudades, até, da fauna e da flora de outrora deste recanto!
Como "sabe", está tudo substancialmente diferente, no entanto eu ainda vou guardando na minha memória alguns contos do Quim das Chardas ", nativo de Valdanta . Ouviu falar do assalto que ele um dia fez aos «alguidares de mel das chardas », servindo-se de uns caroços de milho, parece que até não mais conseguiu sentir o cheiro deste precioso néctar....?
A descrição física que me faz dos locais bem como das emoções dessas gente de outrora, deixam-me perplexo e atónito.
Espero que Tupamaro nos continue a brindar como as suas memórias e recordações e talvez porque não a sua autobiografia....

Obrigado

P.S. Vou deixar-lhe aqui um "convite", venha beber um golo de água à "PIPA". !!!


De A.Cruz a 3 de Fevereiro de 2007 às 11:29
Que adjectivo tal real....
Será que me posso considerar um neto dessa Granjinha que descreve ?
Gostava de ter essa honra....


De tUPAMARO a 4 de Fevereiro de 2007 às 19:23
Claro!! O A.CRUZ É um FILHO e um NETO DILECTO desse caramanchão do Éden onde a essência do Ser e do Existir se funde em nuvens etéreas de Saudade e de Ilusão futura.
O Amor, feito paixão, feito Amizade, feito veneração perpetuar-se-á nos corações dos nativos desse Jardim Encantador e Encantado!
Tupamaro


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