Imagens, Comentários e Estórias de Valdanta (Chaves) e das suas gentes. O meu endereço é "pereira.mos@sapo.pt"
Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007
A Tchoquinha

 

 

Nas tardes frias de Inverno do nosso tempo de crianças, para aquecer o corpo e o espírito não havia melhor do que um jogo popular disputado no largo entre o adro da Igreja e o campo de futebol. Havia vários jogos populares e tradicionais especialmente para os rapazes, como a Tchoquinha, a Bilharda, o Pião, além de uma peladinha, mesmo com bola de trapos que quando se molhava era um pesadelo.

Hoje, proponho-me relembrar e divulgar as regras e normas do jogo da “TCHOQUINHA”, muito popular em Valdanta e jogado com muito entusiasmo. Assim:

 

O Campo:

- O campo deve ser amplo e é composto por uma cova central com cerca de 1.00 de diâmetro, chamada “CALDEIRÃO” e, umas covas mais pequenas com cerca de 0.40 m de diâmetro a que chamam “NITCHOS”, dispostos em forma de círculo à volta do caldeirão e separados deste cerca de 1.50 m. A cerca de 10 m do caldeirão e em direcção oposta aos nichos marca-se no chão um risco a que se chama “RAIA”.

 

Os Acessórios para o Jogo:

- O elemento principal é uma pinha fechada a que se chama “PORCA”, “TCHOQUINA” ou “RECA” e cada jogador tem que estar munido de um pau, normalmente de carvalho com um bocado da raiz ao fundo, tipo moca, mais ou menos com o formato e tamanho de um stick de hóquei em patins.

 

As Condições atléticas:

- Cada elemento deve ser dotado de boa pontaria para acertar na pinha, olho vivo para tomar conta do nicho e ligeireza de manobra com o pau.

 

Os Jogadores:

- No mínimo devem ser 3 jogadores e no máximo 7, e é uma espécie de um contra todos. Um jogador é o PORQUEIRO que é sacrificado e toma conta da porca, com a obrigação de a meter no caldeirão. Os restantes são os NITCHEIROS e têm a obrigação de defender o caldeirão, não deixando que o porqueiro, aí, introduza a porca. Também têm que defender os nichos, porque o porqueiro pode roubá-los e então, o roubado passa a ser porqueiro. Se houver 7 jogadores só valem 6 nichos, se forem 6 só valem 5, isto é, os nichos são sempre em número igual ao dos jogadores menos 1. O jogador a mais será o porqueiro.

 

O Jogo:

- Com a ajudo do meu colega e amigo Miguel Feijão apresento-vos um esboço do campo que normalmente, no meu tempo, costumávamos utilizar.

Inicia-se o jogo com todos os jogadores a rodar à volta do caldeirão e com o pau medito dentro dele. Após uma ou duas voltas, um jogador grita NITCHOS!.... E de imediato cada um procura colocar o seu pau num nicho e o jogador que ficar sem nicho começa por ser o porqueiro.

Quando tudo estiver a postos, cada um no seu lugar, o porqueiro pega na porca (pinha) ou reca e por trás da linha de raia vai atirá-la com a mão para o centro do caldeirão, correndo de imediato para a zona de jogo onde, com o seu pau, tentará ajudar a introduzir a porca no caldeirão ou encontrar um nicho livre e colocar aí o seu pau, já que cada um dos outros jogadores está a tentar atirar com a porca o mais longe possível.

Se, enquanto um nicheiro estiver a tentar bater na porca, o porqueiro colocar o seu pau no nicho doutro, este passa a ser o porqueiro.

Quando o porqueiro não é listro o suficiente e anda muito tempo com a porca e tem que fazer grandes caminhadas para a ir buscar, os restantes começam a irritá-lo dizendo “Temos porqueiro até ao mês de Janeiro” e outras.

Sempre que o porqueiro consegue colocar a porca no caldeirão e imobilizá-la, enquanto mexer qualquer um pode acertar-lhe e mandá-la para longe, o jogo recomeçará novamente com o porqueiro a escolher um nicho para ele e os restantes a rodar à volta do caldeirão até que o porqueiro grite NITCHOS!... Cada um corre à procura de um nicho e o que ficar de fora recomeça como porqueiro. E assim sucessivamente até ser de noite ou até ao toque das Trindades….

 



publicado por J. Pereira às 15:47
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7 comentários:
De cmpsantos a 24 de Janeiro de 2007 às 15:36
O Chefe!!!
Na descrição do local onde costumava-mos jogar a choquinha, faltou dizer que era mesmo em frente da casa da avô "Malanga"e que cada vez que a porca batia na porta Ela gritava conosco.
E muitas vezes nos escondia-mos atrás do olmo para não levar com a pinha!
Mas isto são promenores acontecidos naquele tempo!


De J. Pereira a 24 de Janeiro de 2007 às 15:41
Ó Carlos, também não me lembro se o pau tinha algum nome especial. Se tinha e te lembrares "chuta".
Já há muito que não aparecias no Blog. Porquê? Não tenhas vergonha porque é tudo gente boa. Um abraço para vós


De cmpsantos a 24 de Janeiro de 2007 às 15:51
Também não me lembro assim nada de especial!
Tenho visitado o blog, mas não tenho tido grande tempo para responder, de qualquer maneira tenho gostado do que tenho visto, assim como no blog de Vale-de-Anta. Um abraço para todo o pessoal que nos visita e para vocês ai em casa tudo de bom.


De cmpsantos a 24 de Janeiro de 2007 às 15:43
Gostei muito de ver os slides, principalmente aquele onde estão aqueles dois cromos e a (croma) sem ofença para a amiga Céu, a petiscar junto a lareira com aquela decoração mesmo por cima!!!.
Um grande abraço para o Nel e a Céu.


De J. Pereira a 24 de Janeiro de 2007 às 15:51
A melhor decoração tirei-a para guardar para um post, não sei se ainda chegaste a vê-la.


De cmpsantos a 24 de Janeiro de 2007 às 16:06
Não, so vi esses slids hoje!


De Luís a 14 de Outubro de 2010 às 11:51
A bilharda tem força na Galiza http://pateironomade.wordpress.com/


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