Imagens, Comentários e Estórias de Valdanta (Chaves) e das suas gentes. O meu endereço é "pereira.mos@sapo.pt"
Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2013
Os Reis de 2013 cantados a S. Sebastião pelas gentes de Valdanta

 

Com imagens e texto de Luis Fernandes (Luis da Granjinha) se apresenta mais uma vez a força da tradição e vemos como foi cumprida a "promessa" de se cantarem os Reis a S. Sebastião no dia 5 de Janeiro.

Um abraço para o sr. Luís e para todos os familiares e amigos de Valdanta.

 

 

 

 

 

“OS REIS EM VALDANTA”

 

 

 

 

 

 

 

O «CANTAR DOS REIS», em VALDANTA, é um acontecimento digno de ser acompanhado e vivido.

 

 

 

É um exemplo de verdadeira tradição, pois tem sido realizado pelos Valdantinos desde tempos imemoriais, e não lembra a nenhum dos mais velhos que alguma vez tenha ficado por ser celebrado.

 

 

 

Já os nossos avós, com quem os aprendemos a cantar, mostravam receio de que, «com o tempo», «os REIS» deixassem de ser cantados.

 

 

 

Mas era uma preocupação mais intencionada para que o evento ficasse registado mais vincadamente no coração e na memória dos mais novos.

 

 

 

Este ano, em 2013, a tradição mostrou-se viva.

 

 

 

O dia amanheceu mesmo com um enorme e cerrado nevoeiro, chegado com o cair da noite de sexta para sábado.

 

 

 

Por VALDANTA, o sol e o nevoeiro; a chuva e a neve; o frio, o calor e a geada são comuns.

 

 

 

Pelas oito da manhã, os «CANTADORES dos REIS» já se reuniam frente à CASA do POVO.

 

 

 

Como de “questume”, formaram-se dois grupos: - um parte para a ABOBELEIRA; outro, para o CANDO e a GRANGINHA.

 

 

 

Vá-se lá saber por que artes, à «hora certa» chegam «ambos dois», ao mesmo tempo, ao “sítio do Almoço” - quer este seja no Salão da CASA do POβO, quer seja no “Jardim da Casa do Nuno da Dulce do Alfredo”.

 

 

 

VALDANTA está pegadinha às CASAS-dos-MONTES, um arrabalde típico da cidade. E, neste, alguns dos sobreviventes mais antigos “‘inda fazem questão”, e com todo o gosto, que «Os de VALDANTA» lhes cantem “os REIS” lá à porta!

 

 

 

Falamos em almoço.

 

 

 

Pois é!

 

 

 

É que os FORNOS do POβO e os das casas das “RAPARIGAS de VALDANTA” aproveitam para mostrar o que valem e pra que servem!...

 

 

 

E, feita a ronda da parte da manhã , essas jóias de RAPARIGASoferecem aos “Cantadores” uma «feijoada cozinhada à maneira».

 

 

 

E a “pinga” até parece que foi feita para esse dia!

 

 

 

Depois da primeira grande batalha contra o frio deste Inverno, os dois grupos dão conta de um lado e de outro da parte alta da sede da Freguesia, juntando-se certinhos, no passo e na hora, no “Largo da Paragem das Carreiras”, para concluírem «a volta», já com a noite entrada, ora à porta, ora dentro das casas que ficam «a caminho de SOUTELO».

 

 

 

Acordeões, bombo, violino e castanholas animam a malta e acrescentam beleza às vozes dos Cantadores. “Hora em ponto” chegam à CASA do POβO. Aí, a lareira já está acesa, e a mesa preparada para o Jantar.

 

 

 

As jóias de RAPARIGASde VALDANTA, “certinhas como um relojo”, servem um caldo que … assenta cá no ‘stômago, duma maneira!

 

 

 

Que bem que soube!

 

 

 

Logo a seguir, umas batatas assadas nos “Fornos do Poβo”, com aquele loirinho e sabor que até a vós, que não as “estaisde” a ver à frente dos olhos, vos faz brilhar o apetite e escutar a promessa do que se lhe segue.

 

 

 

Claro!

 

 

 

As canecas, de pingota seleccionada, ficaram rodeadas de travessas de vitela assada, frango, leitão, lombo de porco, carinhosa e apaladadamente preparadas nos «FORNOS do POβO e das Casas” pelas “RAPARIGAS de VALDANTA”.

 

 

 

Come-se, bebe-se e conversa-se com grande e sã animação.

 

 

 

E, este ano, até tivemos à mesa o Pároco da Freguesia, por sinal, nascido e criado na Freguesia pegada de SOUTELO - o Sr. Pe. GUERRA.

 

 

 

A sobremesa foi um requinte de bom gosto e de paladares!

 

 

 

“Agôra” admirem-se que se diga que «as RAPARIGAS de VALDANTA» são uma doçura!

 

 

 

Ai não, que não são!

 

 

 

Para o ano, quem quiser cá vir, tem de «PAGAR O βINHO», no Café d’ALICE ou no da LILI!...

 

 

 

“Afinfada” a sobremesa, arrumam-se as mesas, e os bancos encostam-se às paredes. Os «tocadores» instalam-se a um lado da lareira.

 

 

 

O Benjamim, do CANDO, afina o toque do violino.

 

 

 

O João Paranhos, de Valpaços, e o Alfredo Faria, das Boticas, combinavam as claves dos acordeões.

 

 

 

O “Coradinho” treinava o compasso do Bombo.

 

 

 

O João da Abobeleira apurava o som das castanholas.

 

 

 

É chegado o momento de todos ao “RAPAZES e RAPARIGAS de VALDANTA” cantarem «os REIS» ao senhor Padre.

 

 

 

“Olhaide”, e que bem que cantaram!

 

 

 

Quem não soubesse do improviso até juraria que “os RAPAZES e as RAPARIGAS de VALDANTA”andam bem ensaiados.

 

 

 

O RAFAEL e o ANDRÉ entoavam:

 

 

 

 

 

-Viemos dar as Boas Festas

 

 

 

E alegremente cantando

 

 

 

Que tenhais boa saúde

 

 

 

E princípio de Bom Ano.

 

 

 

 

 

E logo o Lipe, o Dinis, o Valpaços, o Adriano, o João Cruz, o Jorge Romão e o da Abobeleira; o Domingos e o Gabriel, do Narciso; e até o Presidente da Junta, entre muitos outros; e a Teresa, a Deolinda, a Laidinha, a Graciete, a Bia, a Cidália, a Otília, a Alda, a Secundina, as três Dulces, a Aninhas, a Madalena e a Lu, faziam estremecer as copas das árvores da Avenida de Santa Bárbara, cantando:

 

 

 

 

 

-Viemos cantar os Reis

 

 

 

Viemos por devoção

 

 

 

Dai a ‘smola que puderem

 

 

 

Para o S. SEBASTIÃO!

 

 

 

 

 

O “senhor Padre” ficou surpreendido com os seus fregueses.

 

 

 

 

 

Alguém daquela multidão ficou tão encantado que pediu bis.

 

 

 

Foi-lhe feita a vontade.

 

 

 

 

 

E, cheias de brio, “As RAPARIGAS de VALDANTA” começaram a cantar a «Marcha de VALDANTA”.

 

 

 

A Teresa, a Secundina e a Dulce começam:

 

 

 

 

 

-VALDANTA, terra querida,

 

 

 

Recorda o teu passado.

 

 

 

Veste as grinaldas mais belas

 

 

 

Qu’a velha história te há dado.

 

 

 

 

 

E todas, em coro:

 

 

 

 

 

Uma saudade

 

 

 

Quem a não tem

 

 

 

Da Terra amada

 

 

 

De tão carinhosa mãe.

 

 

 

 

 

Saudade, sim.

 

 

 

Tristeza não.

 

 

 

Porque a tristeza

 

 

 

Não faz bem ao coração.

 

 

 

 

 

E, por aí fora, as outras quadras.

 

 

 

 

 

Lindo de se ver e de se ouvir!

 

 

 

 

 

Depois, dedicou-se o tempo ao bailarico.

 

 

 

O Fredo e a sua Dulce, de Valdanta; o Zé da França e a sua Dulce, do CANDO, deram nas vistas com o seu pé de dança!

 

 

 

 

 

Sentimos a falta de alguns amigos e Valdantanos, a quem a pouca saúde, a vida profissional ou a distância impediram a visita ao seu cantinho.

 

 

 

O Zé d’Arminda bem QUE podia ter vindo cá tirar uns retratos!

 

 

 

E a Lai, outro tanto!

 

 

 

Se não fosse pra matar saudades, «ò menos» pra registarem, com a sua arte, este acontecimento «acontecido»!

 

 

 

 

 

Viva VALDANTA (Abobeleira, Cando, Granginha e Valdanta)!!! 

 

 

 

 

 

 

 

 

Luís da Granginha

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais imagens seguem já a seguir 

 



publicado por J. Pereira às 13:58
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